segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Foi pinga?

Jornal Nacional do dia 22 de dezembro de 2008: "Libertar a humanidade do comportamento homossexual é tão importante quanto salvar a floresta tropical do desmatamento" (Bento XVI)

O QUE DERAM PRA ELE BEBER????????????????????????????????????????????????????

sábado, 13 de dezembro de 2008

DO UMBIGO AO NARIZ - Para o ano novo

É hora! A hora mais oportuna para desvincular-se do culto ao umbigo e aderir ao do nariz. Não havendo melhor argumento, considere o lucro de trocar um buraco por dois.
O umbigo é onde tudo começou. Origem da vida e um contínuo de adoração cultivada por muitos do início ao fim da existência.
O nariz é mais complexo. Só é possível enxergar o próprio nariz pela imagem refletida no espelho. Imagem de segunda mão, que vem a nós atravessada pelas marcas espaciais, sócio-históricas e morais, do tempo que se leva a olhar e enxergar o próprio nariz.
O umbigo é tão mais simples! Incline tua cabeça e o verás, tão mais teu, tão próximo, tão singular. Tu escondes o umbigo e ninguém o vê, como a toca do urso, o amigo oculto, a bolha do Pequeno Príncipe. Interpreta-o como quiseres, sem censura, sem meias palavras.
O nariz é, sim, mais complexo. O reflexo que vês não é mais teu, é do mundo. Sofre o julgamento do outro que, não vendo o seu próprio nariz, vê o alheio, entre dois olhos que emanam o ser: sentimento, emoção, brilho, culpa, pudor. Não é o nariz alheio igual ao teu, mas é o que é pela experiência de poder ver a ambos.
Presta mais atenção nos narizes alheios, nos brilhos dos olhos, para que, quando te olhares no espelho, não enxergues somente a ti, mas aos outros que te complementam.

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

A TRAGÉDIA EM SANTA CATARINA

O que precisa haver em um cenário para que ele seja considerado uma tragédia e um momento de horror, de modo que a poderosa mídia se mobilize na arrecadação de fundos para apoio e reconstrução?
Nos últimos dias, o Brasil e o mundo têm acompanhado o caos instalado em Santa Catarina pelas chuvas incessantes. A dor de milhares de famílias desabrigadas, observando impotentes tudo o que levaram anos para conquistar indo barranco abaixo, mobilizou a mídia na formação da opinião pública de que estamos em um momento de abrir o coração e ajudar a quem precisa.
Lindo e necessário, mas um tanto intrigante e incompreensível. A pergunta que inicia o texto pode esclarecer. Repito: O que precisa haver em um cenário para que ele seja considerado uma tragédia e um momento de horror, de modo que a poderosa mídia se mobilize na arrecadação de fundos para apoio e reconstrução?
A solidariedade no país parece ter cor, classe social e geografia bem definidas.
Por que a tragédia nordestina, de freqüência diária, não nos comove ao ponto de agirmos, de colocarmos a mão no bolso para ajudar?
Por que não há campanhas de arrecadação de verba para reconstruir casas de tantos paulistanos da periferia que, volta e meia, perdem tudo devido às chuvas?
Não se trata de diminuir o sofrimento dos catarinenses, mas de questionar por que o calvário das crianças que há três semanas faziam, provavelmente, mais de 3 refeições diárias, iam à escola, tinham casa de alvenaria e famílias bem estruturadas, comove mais do que o das crianças nordestinas, paulistanas, maranhenses, etc., que é cotidiano?
Quem nunca ouviu falar do culto ao estrangeiro?
Mas ao estrangeiro idealizado: europeu, branco, de posses. O sul do nosso país é contemplado como a região da qualidade de vida e do desenvolvimento, tal qual os países europeus são vistos por boa parte dos brasileiros. Chegaram, inclusive, a dizer que o sul do país, se fosse separado do restante, se desenvolveria.
Parece, portanto, ser mais tocante ver alguém de bens perdendo as suas posses do que alguém que já não tem nada, perdendo... perdendo o quê? A dignidade? Um conforto que nunca experimentou?
Não são os nordestinos que se acostumaram com a pobreza.
Os brasileiros é que já se acostumaram com o sofrimento do nordestino.