quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

O que ficou de 2009...

Tenho descoberto quem são os outros e como estes outros residem em mim. São os outros que parcialmente delimitam os rumos que devo tomar ao longo da minha finita jornada.

Tenho descoberto, entretanto, que se confirma a teoria de que só eu mesma posso analisar as contingências das decisões que tomo e acatar ou refutar as ofertas do acaso.

Tenho descoberto que um dia após o outro é muito mais coerente do que um plano após o outro. O tempo passa, nós passamos pela vida e, num estender constante de braços, arrancamos as flores que escolhemos pra decorar cada canto da nossa existência.

Tenho concluído que vivo uma só vez, que tenho uma única oportunidade para participar do coral da vida e devo optar por uma voz para entoar suas canções.

Tenho concluído que, apesar de todos os outros, sou bailarina solo nos palcos da minha finita jornada. Os outros são a plateia que aguarda ansiosa pelo próximo passo, pelo próximo ato, pelo próximo espetáculo. Meus movimentos se dão pela expectativa alheia e pelo desejo próprio, unicamente.

Tenho concluído, num pensamento quase hedonista, que a única força não-empírica que age sobre mim é a força do meu querer. Ele me diz: vá e faça acontecer.

“A vida é puro ruído entre dois silêncios abismais. Silêncio antes de nascer, silêncio após a morte” (Isabel Allende). É hora de viver.

Desejo a todos os amigos um excelente ano novo: vão e façam acontecer.

Beijos grandes!

domingo, 26 de abril de 2009

QUEM SOMOS NÓS? A resposta de Susan Boyle

Já assisti a este vídeo (http://www.youtube.com/watch?v=xRbYtxHayXo) no mínimo 10 vezes no último mês, e todas as vezes me arrepio da cabeça aos pés, como se fosse a primeira vez a assisti-lo.
E todas as vezes, igualmente, emerge aquela pontinha de remorso, porque na primeira vez pensei e julguei como fizeram os jurados e a plateia daquele programa. “O que esta desajeitada, esquisita, está achando que sabe fazer? Só pode ter sido a mãe, ou a avó, que puseram na cabeça dela que ela sabe cantar qualquer coisa”.
Susan canta maravilhosamente bem, isto é inquestionável. Mas outras pessoas cantam tão bem quanto ela... e por que não estão na mídia, com milhões de acessos e buscas por seus nomes?
Simples. Nós mesmos nos chocamos com a nossa própria capacidade de pré-julgar e pré-conceituar a partir do que os nossos olhos, pobres de nós, conseguem ver. Pudera a humanidade, por um, dois ou três dias, perder a visão.
Pudéramos transformar esta sociedade das aparências, do que podemos ver, em um mundo de sons, aromas, toques. Ao invés de vermos televisão, contarmos histórias, trocarmos experiências e ouvirmos uma bela canção.
A história de Susan Boyle, mulher simples, sorridente, de bom humor, cujo sonho era simplesmente cantar, é de uma rasteira homérica, napoleônica, no estúpido talento humano para o preconceito e o desdém.

Eu estou muito emocionada porque sei que todos estavam contra você. Honestamente, penso que todos nós fomos muito cínicos, e este foi o maior sinal de alerta que poderia haver”. (Taylor, a jurada do programa)

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

De médico quem tem um pouco, pode ser um pouco louco

Diagnóstico certeiro, mas permeado de incerteza: “Pois é, Fulana.. então” .. “diz logo, doutor: é câncer”.. “É, é câncer.. maligno”.
Quem nunca ouviu o dito infame “De médico e de louco, todo mundo tem um pouco”?
Balela. Ninguém pode ser menos profissional do que alguns médicos têm conseguido ser.
Você, professor, ameace um aluno de reprovação para levar na cara uma repreensão: “você não tem o direito de reprovar meu filho.. por que você vai reprová-lo? O que ele fez? O que ele deve fazer para não ser reprovado?”
Médico não. Médico tem gabarito pra falar o que quiser, do jeito que quiser. Hoje cheguei à conclusão de que “doutor” mesmo é o psicólogo.. Aliás, aí vai uma dica ao Conselho Nacional de Medicina: exigir a formação em Psicologia de TODOS os médicos, sobretudo os que dão notícias amargas e inesperadas, como a recebida hoje pela nossa funcionária.
Desabada no choro, vislumbrando um futuro breve e cheio de barreiras a serem transpostas. De esperanças? Poucas.. sabendo que o câncer ainda é visto como uma alavanca fatal para a morte, o médico não teve a capacidade e o profissionalismo de amenizar a notícia, apresentando-a com, pelo menos, um pouco de expectativa de cura.

Não é ele que tem, finalmente, um filho de 7 meses nos braços, depois de 2 tentativas frustradas, e agora treme diante da possibilidade de nem vê-lo crescer.
Não foi ele quem lutou para conseguir o pouco que tem, e agora olha para trás perguntando “Por quê”.
A rasteira da vida, não é ele que está levando.
Não são cruéis com ele as circunstâncias.

“Doutores”: humanizai-vos.