
Dois dias foram o suficiente pra eu me sentir destruída por palavras. Adjetivos, mais especificamente. Adjetivos deveriam ser objeto de lei: "Ninguém poderá atribuir adjetivos a outrem, deliberadamente, sob pena de reclusão inafiançável".
Há 2 meses eu fui chamada de insensível, irredutível e burocrática. Ontem, além de tudo isso, ainda fui taxada de egoísta, anti-ética, irresponsável, descomprometida, usurpadora, só valorizo as minhas histórias e não vivo as experiências por completo. "Deveria ter buscado ajuda com um profissional". Tudo isso porque eu gostaria de ficar em um lugar e não em outro, geograficamente falando.
Hoje me sinto como se nada do que eu tivesse feito em toda a minha vida pessoal e acadêmica tivesse valor. Que importância tiveram esses últimos quase 7 anos? Que importância teve eu deixar de viver os prazeres da vida pra resenhar livros, escrever textos, estudar para provas, ter as melhores notas e ser premiada como a melhor aluna de todos os cursos de Ciências Humanas da universidade federal onde estudo do ano de 2007? NENHUMA. Nada disso foi mencionado.
Hoje eu daria um chute no balde. Deixaria no passado todo o esforço, tempo, emoções, dedicação, trabalhos, produções, investimento... pra recomeçar.
Hoje eu queria não ser mais eu. Queria que, num piscar de olhos, eu estivesse de novo em maio de 2003, no momento de decidir entre mudar de cidade ou não, e eu não teria mudado. Provavelmente hoje eu não estaria aqui. Talvez nem viva estivesse! Quem garante?
Talvez hoje eu estivesse mais feliz.
Talvez hoje meu abraço nos amigos fosse mais aconchegante.
Talvez eu tivesse mais graça.
Talvez estivesse sorrindo.
Talvez.
