quinta-feira, 22 de abril de 2010

Bota a corda no pescoço!


Dois dias foram o suficiente pra eu me sentir destruída por palavras. Adjetivos, mais especificamente. Adjetivos deveriam ser objeto de lei: "Ninguém poderá atribuir adjetivos a outrem, deliberadamente, sob pena de reclusão inafiançável".

Há 2 meses eu fui chamada de insensível, irredutível e burocrática. Ontem, além de tudo isso, ainda fui taxada de egoísta, anti-ética, irresponsável, descomprometida, usurpadora, só valorizo as minhas histórias e não vivo as experiências por completo. "Deveria ter buscado ajuda com um profissional". Tudo isso porque eu gostaria de ficar em um lugar e não em outro, geograficamente falando.

Hoje me sinto como se nada do que eu tivesse feito em toda a minha vida pessoal e acadêmica tivesse valor. Que importância tiveram esses últimos quase 7 anos? Que importância teve eu deixar de viver os prazeres da vida pra resenhar livros, escrever textos, estudar para provas, ter as melhores notas e ser premiada como a melhor aluna de todos os cursos de Ciências Humanas da universidade federal onde estudo do ano de 2007? NENHUMA. Nada disso foi mencionado.

Hoje eu daria um chute no balde. Deixaria no passado todo o esforço, tempo, emoções, dedicação, trabalhos, produções, investimento... pra recomeçar.

Hoje eu queria não ser mais eu. Queria que, num piscar de olhos, eu estivesse de novo em maio de 2003, no momento de decidir entre mudar de cidade ou não, e eu não teria mudado. Provavelmente hoje eu não estaria aqui. Talvez nem viva estivesse! Quem garante?

Talvez hoje eu estivesse mais feliz.
Talvez hoje meu abraço nos amigos fosse mais aconchegante.
Talvez eu tivesse mais graça.
Talvez estivesse sorrindo.
Talvez.

terça-feira, 20 de abril de 2010

Sem ar

Há alguns dias li no perfil de uma amiga: "Adoro a humanidade, o que me incomoda são as pessoas". Tenho compartilhado desta ideia nos últimos dias.

Fazia tempo que eu não sentia vontade de sumir, desaparecer... pegar o primeiro ônibus e ir. Algumas pessoas me sufocam. Quando, finalmente, abro os braços e me proponho a viver intensamente, a sair da realidade positivista de que eu própria me cercava, tem gente que se sente empoderada para me pôr rédeas.

Tenho sentido vontade de ficar sozinha, incomunicavelmente só. Ironicamente, tenho tido que colocar rédeas em mim mesma (EU tenho poder pra isso). Tenho tido que fugir, me afastar, desviar do caminho de alguns que têm sido responsáveis pelo martelinho interior que tá ali, aqui, dando seus sinais e tirando a paz. Que inversão de jogo! Me decepcionei comigo mesma. Fazia tempo também que não me sentia besta...

To me sentindo sufocada. Tenho tido vontade de parar em cima da ponte e, num giro de 360 graus, bradar que PAAAAAAREEEEEEEEMMMM!!!! LARGUEEEEEM DO MEU PÉÉÉÉÉ... e que esse grito chegue até o BRASILLLLLLLLLLLLLLLLL!!!!!!!!!!

Me deixa viver, poxa!

Decisão do dia: Vão todos ao raio que os parta!

terça-feira, 13 de abril de 2010

Adeus... até mais... a gente se vê...

A vida é feita de vindas.
Pessoas vêm esperadas como a luz do dia e inesperadas como a chuva ao meio-dia.
As pessoas nos tocam, como o voo veloz e certeiro do beija-flor sobre a sua fonte de néctar.
As pessoas nos encantam, como o canto demorado da cigarra em fim de tarde de verão.
As pessoas nos emocionam, como os primeiros passos da criança que, desequilibradamente, se prepara para desbravar o mundo.
As pessoas nos constituem, como a areia no mar, como a nuvem no ceu, como a borboleta descaradamente colorida embeleza ainda mais qualquer jardim.

A vida é feita de idas.
As pessoas se vão... como o trem que parte da estação deixando um vazio, um silêncio, um tom fúnebre...
As pessoas se vão como a ave mãe que abandona o ninho à própria sorte...
As pessoas se vão como se esconde o sol ao anoitecer...
As pessoas nos deixam, como nos deixa o sono e perdemos a paz...
As pessoas tomam caminhos diversos, como folhas caídas tocadas pela mais suave brisa do amanhecer...

A vida é um irremediável ir e vir. Pro bem ou pro mal, todas permanecem em um cantinho da memória e são levadas no coração.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Tenho tempo

Hoje tenho tempo, mas preferia não tê-lo.
Tenho tempo, mas me faltam desejos.
Tenho tempo, mas me falta companhia.
Tenho tempo, mas me faltam sentimentos.
Tenho tempo, mas me falta liberdade.
Tenho tempo, mas me falta coragem.
Tenho tempo, mas me faltam planos.
Tenho tempo, mas tenho rotina.
Tenho tempo, mas a vida vem por detrás e me dá um empurrão adiante.
Tenho tempo, mas tenho saudade.
Tenho tempo, mas me sinto ignorada.
Tenho tempo, mas vêm as convenções.
Tenho tempo, mas a decepção está de braços dados com a vida e é a terceira mão que me puxa o cabelo e prossegue curvando minha cabeça adiante, de modo que meu olhar encontre o chão.

Tropeço nos ponteiros caídos do relógio quebrado. Só, joelhos e palmas das mãos arranham no contato com o chão. Sacudo a poeira e, sentada ao chão, cruzo minhas pernas mantendo o olhar cabisbaixo.

A natureza conspira. Eu sigo com o olhar desatento e peito aberto.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Estrangeiro

Quem é esse que ta aí?
Quem é esse que veio e chegou e invadiu um espaço pronto e demograficamente constituído?
Quem é esse que pensa em ceder sentimentos, ceder amizades, ceder atenção, carinho, afeto, pra depois, impiedosamente, dar as costas e deixar um vazio?

Tenho me sentido estrangeiro no sentido mais completo. Ontem alguém me disse que chegar em outro país é como entrar na casa de desconhecidos e começar a jogar um jogo do qual as regras são desconhecidas. Sábia comparação!

Tenho jogado jogos dos quais ainda não consigo compreender os princípios. As regras do grupo maior são seguidas por outro grupo menor que, além delas, ainda convencionou outras. Complexo? Demais!

Existem, ainda, as regras individuais que não entram em conflito com as gerais e que eu tenho tentado descobrir. Não raro estes indivíduos são enigmáticos. O resultado é uma mistura de carinho, decepção, dúvida, incerteza, impotência.

Tenho tentado dar um basta nos meus sentimentos e trazer pra dentro de mim a frieza que até há pouco paralisava os sentidos. Um amigo me sugeriu relaxar e deixar pra lá. "Nós somos passageiros aqui. Eles não podem se apegar a nós. O que pra eles é rotina, pra nós é vivido intensamente".

Talvez ele tenha razão.
Talvez seja cruel, da minha parte, esperar que sintam o mesmo que eu.
Talvez seja cruel comigo mesmo me entregar em sentimentos aparentemente fugazes.
Talvez seja melhor jogar a mochila nas costas e ir passando, sem deixar marcas, sem levá-las.