Jornal Nacional do dia 22 de dezembro de 2008: "Libertar a humanidade do comportamento homossexual é tão importante quanto salvar a floresta tropical do desmatamento" (Bento XVI)
O QUE DERAM PRA ELE BEBER????????????????????????????????????????????????????
segunda-feira, 22 de dezembro de 2008
sábado, 13 de dezembro de 2008
DO UMBIGO AO NARIZ - Para o ano novo
É hora! A hora mais oportuna para desvincular-se do culto ao umbigo e aderir ao do nariz. Não havendo melhor argumento, considere o lucro de trocar um buraco por dois.
O umbigo é onde tudo começou. Origem da vida e um contínuo de adoração cultivada por muitos do início ao fim da existência.
O nariz é mais complexo. Só é possível enxergar o próprio nariz pela imagem refletida no espelho. Imagem de segunda mão, que vem a nós atravessada pelas marcas espaciais, sócio-históricas e morais, do tempo que se leva a olhar e enxergar o próprio nariz.
O umbigo é tão mais simples! Incline tua cabeça e o verás, tão mais teu, tão próximo, tão singular. Tu escondes o umbigo e ninguém o vê, como a toca do urso, o amigo oculto, a bolha do Pequeno Príncipe. Interpreta-o como quiseres, sem censura, sem meias palavras.
O nariz é, sim, mais complexo. O reflexo que vês não é mais teu, é do mundo. Sofre o julgamento do outro que, não vendo o seu próprio nariz, vê o alheio, entre dois olhos que emanam o ser: sentimento, emoção, brilho, culpa, pudor. Não é o nariz alheio igual ao teu, mas é o que é pela experiência de poder ver a ambos.
Presta mais atenção nos narizes alheios, nos brilhos dos olhos, para que, quando te olhares no espelho, não enxergues somente a ti, mas aos outros que te complementam.
O umbigo é onde tudo começou. Origem da vida e um contínuo de adoração cultivada por muitos do início ao fim da existência.
O nariz é mais complexo. Só é possível enxergar o próprio nariz pela imagem refletida no espelho. Imagem de segunda mão, que vem a nós atravessada pelas marcas espaciais, sócio-históricas e morais, do tempo que se leva a olhar e enxergar o próprio nariz.
O umbigo é tão mais simples! Incline tua cabeça e o verás, tão mais teu, tão próximo, tão singular. Tu escondes o umbigo e ninguém o vê, como a toca do urso, o amigo oculto, a bolha do Pequeno Príncipe. Interpreta-o como quiseres, sem censura, sem meias palavras.
O nariz é, sim, mais complexo. O reflexo que vês não é mais teu, é do mundo. Sofre o julgamento do outro que, não vendo o seu próprio nariz, vê o alheio, entre dois olhos que emanam o ser: sentimento, emoção, brilho, culpa, pudor. Não é o nariz alheio igual ao teu, mas é o que é pela experiência de poder ver a ambos.
Presta mais atenção nos narizes alheios, nos brilhos dos olhos, para que, quando te olhares no espelho, não enxergues somente a ti, mas aos outros que te complementam.
terça-feira, 2 de dezembro de 2008
A TRAGÉDIA EM SANTA CATARINA
O que precisa haver em um cenário para que ele seja considerado uma tragédia e um momento de horror, de modo que a poderosa mídia se mobilize na arrecadação de fundos para apoio e reconstrução?
Nos últimos dias, o Brasil e o mundo têm acompanhado o caos instalado em Santa Catarina pelas chuvas incessantes. A dor de milhares de famílias desabrigadas, observando impotentes tudo o que levaram anos para conquistar indo barranco abaixo, mobilizou a mídia na formação da opinião pública de que estamos em um momento de abrir o coração e ajudar a quem precisa.
Lindo e necessário, mas um tanto intrigante e incompreensível. A pergunta que inicia o texto pode esclarecer. Repito: O que precisa haver em um cenário para que ele seja considerado uma tragédia e um momento de horror, de modo que a poderosa mídia se mobilize na arrecadação de fundos para apoio e reconstrução?
A solidariedade no país parece ter cor, classe social e geografia bem definidas.
Por que a tragédia nordestina, de freqüência diária, não nos comove ao ponto de agirmos, de colocarmos a mão no bolso para ajudar?
Por que não há campanhas de arrecadação de verba para reconstruir casas de tantos paulistanos da periferia que, volta e meia, perdem tudo devido às chuvas?
Não se trata de diminuir o sofrimento dos catarinenses, mas de questionar por que o calvário das crianças que há três semanas faziam, provavelmente, mais de 3 refeições diárias, iam à escola, tinham casa de alvenaria e famílias bem estruturadas, comove mais do que o das crianças nordestinas, paulistanas, maranhenses, etc., que é cotidiano?
Quem nunca ouviu falar do culto ao estrangeiro?
Mas ao estrangeiro idealizado: europeu, branco, de posses. O sul do nosso país é contemplado como a região da qualidade de vida e do desenvolvimento, tal qual os países europeus são vistos por boa parte dos brasileiros. Chegaram, inclusive, a dizer que o sul do país, se fosse separado do restante, se desenvolveria.
Parece, portanto, ser mais tocante ver alguém de bens perdendo as suas posses do que alguém que já não tem nada, perdendo... perdendo o quê? A dignidade? Um conforto que nunca experimentou?
Não são os nordestinos que se acostumaram com a pobreza.
Os brasileiros é que já se acostumaram com o sofrimento do nordestino.
Nos últimos dias, o Brasil e o mundo têm acompanhado o caos instalado em Santa Catarina pelas chuvas incessantes. A dor de milhares de famílias desabrigadas, observando impotentes tudo o que levaram anos para conquistar indo barranco abaixo, mobilizou a mídia na formação da opinião pública de que estamos em um momento de abrir o coração e ajudar a quem precisa.
Lindo e necessário, mas um tanto intrigante e incompreensível. A pergunta que inicia o texto pode esclarecer. Repito: O que precisa haver em um cenário para que ele seja considerado uma tragédia e um momento de horror, de modo que a poderosa mídia se mobilize na arrecadação de fundos para apoio e reconstrução?
A solidariedade no país parece ter cor, classe social e geografia bem definidas.
Por que a tragédia nordestina, de freqüência diária, não nos comove ao ponto de agirmos, de colocarmos a mão no bolso para ajudar?
Por que não há campanhas de arrecadação de verba para reconstruir casas de tantos paulistanos da periferia que, volta e meia, perdem tudo devido às chuvas?
Não se trata de diminuir o sofrimento dos catarinenses, mas de questionar por que o calvário das crianças que há três semanas faziam, provavelmente, mais de 3 refeições diárias, iam à escola, tinham casa de alvenaria e famílias bem estruturadas, comove mais do que o das crianças nordestinas, paulistanas, maranhenses, etc., que é cotidiano?
Quem nunca ouviu falar do culto ao estrangeiro?
Mas ao estrangeiro idealizado: europeu, branco, de posses. O sul do nosso país é contemplado como a região da qualidade de vida e do desenvolvimento, tal qual os países europeus são vistos por boa parte dos brasileiros. Chegaram, inclusive, a dizer que o sul do país, se fosse separado do restante, se desenvolveria.
Parece, portanto, ser mais tocante ver alguém de bens perdendo as suas posses do que alguém que já não tem nada, perdendo... perdendo o quê? A dignidade? Um conforto que nunca experimentou?
Não são os nordestinos que se acostumaram com a pobreza.
Os brasileiros é que já se acostumaram com o sofrimento do nordestino.
terça-feira, 18 de novembro de 2008
Ah, a nossa língua..
Quando eu comentei em outra postagem que LÍNGUA É PODER, eu quis dizer exatamente o que vou expôr nesta postagem.
Os analistas do discurso se valem com propriedade do conhecimento dos artifícios lingüísticos para desvendar propósitos, não-ditos, constituição do sujeito, etc. O fato é que seria bastante conveniente para todos nós, não só para esses profissionais, que soubéssemos lançar mão dos recursos lingüísticos em nosso favor.
Lendo o Código de Ética Profissional dos Contabilistas, a leitura fluiu sem sobressaltos até o seguinte parágrafo:
"IX - ser solidário com os movimentos de defesa da dignidade profissional, seja propugnando por remuneração condigna, seja zelando por condições de trabalho compatíveis com o exercício ético-pro-fissional da Contabilidade e seu aprimoramento técnico."
Você já se imaginou propugnando por remuneração condigna? Ou melhor, você... seja sincero.. já propugnou por alguma coisa, algum dia? Você já cometeu este ato???
Inteligentíssimos os nossos colegas Contadores. Talvez os nossos professores, se tirassem umas férias, teriam o insight de lançar mão dos artifícios do seu próprio objeto de estudo e trabalho, a língua, em favor dos seus direitos.
Os analistas do discurso se valem com propriedade do conhecimento dos artifícios lingüísticos para desvendar propósitos, não-ditos, constituição do sujeito, etc. O fato é que seria bastante conveniente para todos nós, não só para esses profissionais, que soubéssemos lançar mão dos recursos lingüísticos em nosso favor.
Lendo o Código de Ética Profissional dos Contabilistas, a leitura fluiu sem sobressaltos até o seguinte parágrafo:
"IX - ser solidário com os movimentos de defesa da dignidade profissional, seja propugnando por remuneração condigna, seja zelando por condições de trabalho compatíveis com o exercício ético-pro-fissional da Contabilidade e seu aprimoramento técnico."
Você já se imaginou propugnando por remuneração condigna? Ou melhor, você... seja sincero.. já propugnou por alguma coisa, algum dia? Você já cometeu este ato???
Inteligentíssimos os nossos colegas Contadores. Talvez os nossos professores, se tirassem umas férias, teriam o insight de lançar mão dos artifícios do seu próprio objeto de estudo e trabalho, a língua, em favor dos seus direitos.
sexta-feira, 7 de novembro de 2008
Vaga de Emprego
O Zé tem 30 anos.
O Zé tem boa aparência,
Disso ele cuida pra não descuidar.
Mas o Zé ta desempregado há muito tempo.
O Zé tem 2 filhos pra criar.
A esposa do Zé é costureira.
Não ganha muito dinheiro.
O Zé só assiste a Globo,
Não tem TV a cabo.
Refugiado no boteco da esquina
Viu jornal na sexta-feira
Depois, o MG Notícias.
“CURSOS GRÁTIS”
O Zé de ouvido aberto.
Nunca teve estudo.
Pode ser a grande chance.
“Curso de maîtresse e hostess”
O Zé baixou a cabeça
“Alarme falso”, pensou.
O Zé não sabe ler
O Zé não tem a técnica
O Zé, na verdade, se acha burro.
Emprego de nome estrangeiro
Só pode ser pra classe A.
Coitado do Zé.
Ele não quer fazer fortuna.
Não precisa de emprego igual àqueles.
O Zé precisa é dinheiro
Pra comprar arroz, feijão e leite pros meninos.
Mais um dia passou em branco
O Zé vai pra casa arrasado.
Destino cruel.
O Zé acha que não serve pra “maîtresse ou hostess”
Pode até ser que não
Pode até ser que sim
O Zé poderia ser o melhor mordomo da cidade
Se dessem pra ele a chance
De, pelo menos, saber sobre o que o emprego é.
O Zé tem boa aparência,
Disso ele cuida pra não descuidar.
Mas o Zé ta desempregado há muito tempo.
O Zé tem 2 filhos pra criar.
A esposa do Zé é costureira.
Não ganha muito dinheiro.
O Zé só assiste a Globo,
Não tem TV a cabo.
Refugiado no boteco da esquina
Viu jornal na sexta-feira
Depois, o MG Notícias.
“CURSOS GRÁTIS”
O Zé de ouvido aberto.
Nunca teve estudo.
Pode ser a grande chance.
“Curso de maîtresse e hostess”
O Zé baixou a cabeça
“Alarme falso”, pensou.
O Zé não sabe ler
O Zé não tem a técnica
O Zé, na verdade, se acha burro.
Emprego de nome estrangeiro
Só pode ser pra classe A.
Coitado do Zé.
Ele não quer fazer fortuna.
Não precisa de emprego igual àqueles.
O Zé precisa é dinheiro
Pra comprar arroz, feijão e leite pros meninos.
Mais um dia passou em branco
O Zé vai pra casa arrasado.
Destino cruel.
O Zé acha que não serve pra “maîtresse ou hostess”
Pode até ser que não
Pode até ser que sim
O Zé poderia ser o melhor mordomo da cidade
Se dessem pra ele a chance
De, pelo menos, saber sobre o que o emprego é.
quarta-feira, 5 de novembro de 2008
DESESPERO
Olhos arregalados
Mãos trêmulas
Sudorese
Pernas ligeiramente afastadas
Num abre-e-fecha acelerado.
Pés inquietos
Postura ligeiramente curvada
O mundo parou
Ansiedade
Nada mais se move ao redor.
Coração palpitante
Queimação estomacal
Cólicas intestinais
Contrações musculares
Um bombardeio inconstante de sentimentos e emoções.
Impossibilidade de ação
Tudo vejo, nada faço
Desacelera, desacelera.........
Um clic, dois clics, três clics.
Não há outra solução.
Quando o MSN trava, é preciso reiniciar o computador.
Mãos trêmulas
Sudorese
Pernas ligeiramente afastadas
Num abre-e-fecha acelerado.
Pés inquietos
Postura ligeiramente curvada
O mundo parou
Ansiedade
Nada mais se move ao redor.
Coração palpitante
Queimação estomacal
Cólicas intestinais
Contrações musculares
Um bombardeio inconstante de sentimentos e emoções.
Impossibilidade de ação
Tudo vejo, nada faço
Desacelera, desacelera.........
Um clic, dois clics, três clics.
Não há outra solução.
Quando o MSN trava, é preciso reiniciar o computador.
segunda-feira, 3 de novembro de 2008
PROGRAMANDO UM EVENTO NA UNIVERSIDADE
Prof. 1 – Meu convidado chega às 12:34 do dia 13, e retorna às 19:53 do dia 14.
A besta – Ok. Vamos reservar a passagem.
...
Prof. 2 – É necessário que os seis debates de meia hora cada do meu convidado sejam no primeiro dia, à tarde, entre 13:30 e 16:00. É que ele chega ao meio-dia, e deve retornar no mesmo dia antes de escurecer.
A besta – Nossa... vamos ver o que dá pra fazer.
...
Prof. 3 – O meu convidado, que ministraria um minicurso às 14:00 do primeiro dia e debateria os trabalhos na manhã do dia seguinte, ministrará o minicurso na manhã do primeiro dia e debaterá os trabalhos na tarde do segundo dia.
A besta – Ok, professor. Vamos reorganizar o cronograma das apresentações.
...
Prof. 4 – Metade dos trabalhos dos meus alunos deverá ser debatido pelo convidado 1, e a outra metade pelo convidado 2, cuidando para que não haja choque de horário, de modo que eu possa assistir a todas as apresentações.
A besta – Ok, professor. Tomaremos o cuidado.
...
Prof. 5 – Os trabalhos dos meus alunos deverão ser agendados todos para a tarde do primeiro dia, porque estarei viajando no segundo dia.
A besta – Certo, professora. Agendaremos.
...
Participante 1 – Gostaria que o meu trabalho fosse agendado para o primeiro dia à tarde, porque como eu trabalho pela manhã, não poderei neste horário.
A besta – Ok.. vamos ver o que é possível fazer.
...
Participante 2 – É possível que o meu trabalho seja agendado para o mesmo dia e horário dos trabalhos de Fulano, Ciclano e Beltrano? É que somos de fora e viajamos juntos no mesmo carro.
A besta – Coincidentemente, os trabalhos coincidiram.
...
Participante 3 – Estou com medo que o meu trabalho seja agendado para a tarde do segundo dia, porque tenho Prática de Ensino, e não poderei comparecer...
A besta – Enviaremos a mensagem para o responsável e assim que obtivermos resposta retornaremos o contato.
...
Participante 4 – Perdi a data do pagamento do meu boleto, e não consigo imprimir outro no site porque lá diz que eu já gerei um boleto.. tem como imprimir outro?
A besta – A sua dúvida será encaminhada ao responsável.
...
Presidente da Comissão – Preciso de você urgente aqui! É necessário imprimir os projetos e enviar aos convidados AINDA HOJE; é urgente concluir as reservas das passagens e levar o pedido à Pró-Reitoria; uma reunião deve ser marcada com os candidatos à monitoria, AINDA HOJE; é necessário distribuir os resumos enviados pelos participantes entre os membros da comissão; e URGE enviar um convite formal para o e-mail dos convidados.
A besta – Ah, vá pra P Q P!!!
A besta – Ok. Vamos reservar a passagem.
...
Prof. 2 – É necessário que os seis debates de meia hora cada do meu convidado sejam no primeiro dia, à tarde, entre 13:30 e 16:00. É que ele chega ao meio-dia, e deve retornar no mesmo dia antes de escurecer.
A besta – Nossa... vamos ver o que dá pra fazer.
...
Prof. 3 – O meu convidado, que ministraria um minicurso às 14:00 do primeiro dia e debateria os trabalhos na manhã do dia seguinte, ministrará o minicurso na manhã do primeiro dia e debaterá os trabalhos na tarde do segundo dia.
A besta – Ok, professor. Vamos reorganizar o cronograma das apresentações.
...
Prof. 4 – Metade dos trabalhos dos meus alunos deverá ser debatido pelo convidado 1, e a outra metade pelo convidado 2, cuidando para que não haja choque de horário, de modo que eu possa assistir a todas as apresentações.
A besta – Ok, professor. Tomaremos o cuidado.
...
Prof. 5 – Os trabalhos dos meus alunos deverão ser agendados todos para a tarde do primeiro dia, porque estarei viajando no segundo dia.
A besta – Certo, professora. Agendaremos.
...
Participante 1 – Gostaria que o meu trabalho fosse agendado para o primeiro dia à tarde, porque como eu trabalho pela manhã, não poderei neste horário.
A besta – Ok.. vamos ver o que é possível fazer.
...
Participante 2 – É possível que o meu trabalho seja agendado para o mesmo dia e horário dos trabalhos de Fulano, Ciclano e Beltrano? É que somos de fora e viajamos juntos no mesmo carro.
A besta – Coincidentemente, os trabalhos coincidiram.
...
Participante 3 – Estou com medo que o meu trabalho seja agendado para a tarde do segundo dia, porque tenho Prática de Ensino, e não poderei comparecer...
A besta – Enviaremos a mensagem para o responsável e assim que obtivermos resposta retornaremos o contato.
...
Participante 4 – Perdi a data do pagamento do meu boleto, e não consigo imprimir outro no site porque lá diz que eu já gerei um boleto.. tem como imprimir outro?
A besta – A sua dúvida será encaminhada ao responsável.
...
Presidente da Comissão – Preciso de você urgente aqui! É necessário imprimir os projetos e enviar aos convidados AINDA HOJE; é urgente concluir as reservas das passagens e levar o pedido à Pró-Reitoria; uma reunião deve ser marcada com os candidatos à monitoria, AINDA HOJE; é necessário distribuir os resumos enviados pelos participantes entre os membros da comissão; e URGE enviar um convite formal para o e-mail dos convidados.
A besta – Ah, vá pra P Q P!!!
sábado, 1 de novembro de 2008
HISTÓRIA DE FAMÍLIA
Organizava, naquele momento, uma das gavetas no meu quarto. Não lembro se punha lá roupas minhas ou de cama. Usava um short xadrez que fazia par com uma blusa branca, xadrez somente nas mangas. Devia ser a décima empregada que chegava na nossa casa num período de aproximadamente 7 anos. Eu tinha 7 anos na época.
Era branca, de origem alemã, bastava olhar. Cabelos curtos, escuros, magra. As feições eram bravas. Demorei a vê-la sorrir. Ela vinha de um período de muitos anos de trabalho na casa de uma professora, com cuja família guardava laços praticamente familiares, vim saber com o passar do tempo. Não devia estar sendo fácil pra ela entrar na rotina de uma outra família, cuja mãe estava grávida, além de ter já dois filhos pequenos, de 7 e 9 anos.
Eu e meu irmão não éramos santos. Pelo contrário. Nos revelávamos mimados e teimosos em vários momentos. Entretanto, culpar-nos pela contrariedade em receber uma estranha, de movimentos rápidos, feições rudes e capricho imensurável com a limpeza e organização da casa seria injusto.
A adaptação foi rápida. Logo, sobretudo por morar na nossa casa, ela se tornou parte da rotina diária da família. Não lembro detalhes desse período, mas tudo se torna claro na memória após o nascimento do meu irmão mais novo.
Meu irmão nasceu mirradinho e aparentemente desnutrido. Minha mãe mesma diz que ele era feio. Os cuidados sobre ele foram sempre redobrados, dada a sua minusculidade. A mamadeira de leite sempre incluía um ou dois ovos de codorna para dar sustança. O trato melindroso foi tanto que ele se tornou excessivamente mimado. Quem passava a maior parte do tempo com ele era a empregada, de quem raramente se ouvia um “não” em resposta a um pedido do meu irmão mais novo. Em situações de conflito entre mim e ele, ou entre ele e o meu irmão mais velho, quando o juiz era a empregada, a culpa caía sempre sobre mim ou sobre o meu irmão mais velho.
Pegamos uma certa aversão. Aversão não só à empregada mas ao meu irmão mais novo, que ganhava tudo o que queria no resmungo ou no choro. Ela o havia adotado praticamente como filho, o que possivelmente gerou em nós um sentimento estranho de inveja. Nós tínhamos, creio, inveja porque ele tinha praticamente duas mães e nós só uma (como se isso não bastasse).
Os arranca-rabos eram constantes, e os palavrões não demoraram a surgir, principalmente da parte do meu irmão mais velho. Eu tinha mais medo.. medo não dela, mas medo da minha mãe, que repetia: “Se ela for embora, eu é que não vou fazer o serviço”.
Houve um momento, em especial, que me marcou. Me lembro como se fosse hoje. Meu irmão havia quebrado o braço, numa queda de bicicleta. Fiquei morrendo de dó, porque assisti ao momento. Ajuntei-o do chão num gesto sincero de socorro e pena. Ele sarou, mas como a fratura foi muito próxima ao cotovelo, não conseguia mais dobrar o braço menos de 90 graus, de modo que conseguisse encostar no próprio ombro. O médico receitou exercícios de fisioterapia que poderiam ser realizados em casa. Quem foi o encarregado? A empregada, lógico, que era quem sempre dava banho nele.
Um determinado dia (que decisão infeliz), decidi tomar banho com eles. No momento dos exercícios, ele resmungava de dor, e eu perguntei, mansamente (não estou mascarando a situação), se ela não estava forçando muito. A reação dela foi totalmente inesperada e violenta que eu até hoje me questiono sobre o que ela pensava e sentia em relação a mim. Parecia ódio, um sentimento que, para explodir, precisava de um simples empurrãozinho como a minha pergunta inocente. Se eu queria fazer os exercícios com ele, se eu achava que ela não sabia.. eu não tinha sugerido nada disso. Até que veio o bruto tapa na cara, assistido (graças a deus!, me serviu de testemunha) pela minha tia. O único que já recebi em toda a minha vida, até hoje, aos 23 anos. Ainda não o compreendo, mas a dor de recebê-lo está guardada.
O tempo passou, as relações se tornaram amenas. Nem tão próximas, nem tão distantes. Simplesmente dividíamos o mesmo espaço e interagíamos nos momentos básicos e necessários.
Saí de casa para estudar. Dentre outras formas de moradia, me instalei em uma república com mais duas companheiras. Cada uma delas era de uma forma: uma era preguiçosa, tudo pra ela estava ok. A outra, embora não preguiçosa, era bastante porca (arroz dentro da pia, casca de banana dentro da pia, tudo ia pra dentro da pia como se só ela utilizasse).
No período de moradia em república foi que eu me percebi, e cheguei a brincar que era, como a empregada lá de casa. Eu estava com duas pessoas estranhas que não respeitavam nem colaboravam com a manutenção da limpeza da casa. Elas eram eu e o meu irmão mais velho, e eu aquela cujo trabalho era desvalorizado e desrespeitado.
Talvez pela distância e pela saudade dos velhos tempos da infância o ponto de vista em relação a ela tenha se alterado. Na distância, ela era, então, um membro da família, que atendia o telefone quando eu ligava e que me abraçava quando eu chegava de férias. Às vezes ainda a sentia meio desconfiada com a minha aproximação, mas o tempo foi ajustando tudo.
A proximidade agora se revela por sentimentos que emergem em situações diversas. A perda dos dois bebês fez aflorar a tristeza e o pesar por não poder nada mais dizer a não ser “sinto muito... outro poderá vir”. Tanta coisa conquistada com tanto esforço: casa própria e finalmente um homem formidável com quem levar uma vida a dois, e tudo o que faltava para a felicidade completa perde-se duas vezes. Por quê? O que teria ela feito?
Por outro lado, a felicidade da maternidade gera um sentimento de amor, amor por uma criança como se ela fosse sobrinho de sangue. Uma criança que vai passar boa parte da infância num espaço onde eu cresci, vai assistir a televisão que eu assisti, provavelmente vai subir nas mesmas árvores, vai pegar bergamota nos mesmos pés, e pular amarelinha na mesma rua.
Ela faz parte da nossa família. Não só porque está lá presente, fisicamente, todos os dias. Mas porque desperta em nós amor.
Era branca, de origem alemã, bastava olhar. Cabelos curtos, escuros, magra. As feições eram bravas. Demorei a vê-la sorrir. Ela vinha de um período de muitos anos de trabalho na casa de uma professora, com cuja família guardava laços praticamente familiares, vim saber com o passar do tempo. Não devia estar sendo fácil pra ela entrar na rotina de uma outra família, cuja mãe estava grávida, além de ter já dois filhos pequenos, de 7 e 9 anos.
Eu e meu irmão não éramos santos. Pelo contrário. Nos revelávamos mimados e teimosos em vários momentos. Entretanto, culpar-nos pela contrariedade em receber uma estranha, de movimentos rápidos, feições rudes e capricho imensurável com a limpeza e organização da casa seria injusto.
A adaptação foi rápida. Logo, sobretudo por morar na nossa casa, ela se tornou parte da rotina diária da família. Não lembro detalhes desse período, mas tudo se torna claro na memória após o nascimento do meu irmão mais novo.
Meu irmão nasceu mirradinho e aparentemente desnutrido. Minha mãe mesma diz que ele era feio. Os cuidados sobre ele foram sempre redobrados, dada a sua minusculidade. A mamadeira de leite sempre incluía um ou dois ovos de codorna para dar sustança. O trato melindroso foi tanto que ele se tornou excessivamente mimado. Quem passava a maior parte do tempo com ele era a empregada, de quem raramente se ouvia um “não” em resposta a um pedido do meu irmão mais novo. Em situações de conflito entre mim e ele, ou entre ele e o meu irmão mais velho, quando o juiz era a empregada, a culpa caía sempre sobre mim ou sobre o meu irmão mais velho.
Pegamos uma certa aversão. Aversão não só à empregada mas ao meu irmão mais novo, que ganhava tudo o que queria no resmungo ou no choro. Ela o havia adotado praticamente como filho, o que possivelmente gerou em nós um sentimento estranho de inveja. Nós tínhamos, creio, inveja porque ele tinha praticamente duas mães e nós só uma (como se isso não bastasse).
Os arranca-rabos eram constantes, e os palavrões não demoraram a surgir, principalmente da parte do meu irmão mais velho. Eu tinha mais medo.. medo não dela, mas medo da minha mãe, que repetia: “Se ela for embora, eu é que não vou fazer o serviço”.
Houve um momento, em especial, que me marcou. Me lembro como se fosse hoje. Meu irmão havia quebrado o braço, numa queda de bicicleta. Fiquei morrendo de dó, porque assisti ao momento. Ajuntei-o do chão num gesto sincero de socorro e pena. Ele sarou, mas como a fratura foi muito próxima ao cotovelo, não conseguia mais dobrar o braço menos de 90 graus, de modo que conseguisse encostar no próprio ombro. O médico receitou exercícios de fisioterapia que poderiam ser realizados em casa. Quem foi o encarregado? A empregada, lógico, que era quem sempre dava banho nele.
Um determinado dia (que decisão infeliz), decidi tomar banho com eles. No momento dos exercícios, ele resmungava de dor, e eu perguntei, mansamente (não estou mascarando a situação), se ela não estava forçando muito. A reação dela foi totalmente inesperada e violenta que eu até hoje me questiono sobre o que ela pensava e sentia em relação a mim. Parecia ódio, um sentimento que, para explodir, precisava de um simples empurrãozinho como a minha pergunta inocente. Se eu queria fazer os exercícios com ele, se eu achava que ela não sabia.. eu não tinha sugerido nada disso. Até que veio o bruto tapa na cara, assistido (graças a deus!, me serviu de testemunha) pela minha tia. O único que já recebi em toda a minha vida, até hoje, aos 23 anos. Ainda não o compreendo, mas a dor de recebê-lo está guardada.
O tempo passou, as relações se tornaram amenas. Nem tão próximas, nem tão distantes. Simplesmente dividíamos o mesmo espaço e interagíamos nos momentos básicos e necessários.
Saí de casa para estudar. Dentre outras formas de moradia, me instalei em uma república com mais duas companheiras. Cada uma delas era de uma forma: uma era preguiçosa, tudo pra ela estava ok. A outra, embora não preguiçosa, era bastante porca (arroz dentro da pia, casca de banana dentro da pia, tudo ia pra dentro da pia como se só ela utilizasse).
No período de moradia em república foi que eu me percebi, e cheguei a brincar que era, como a empregada lá de casa. Eu estava com duas pessoas estranhas que não respeitavam nem colaboravam com a manutenção da limpeza da casa. Elas eram eu e o meu irmão mais velho, e eu aquela cujo trabalho era desvalorizado e desrespeitado.
Talvez pela distância e pela saudade dos velhos tempos da infância o ponto de vista em relação a ela tenha se alterado. Na distância, ela era, então, um membro da família, que atendia o telefone quando eu ligava e que me abraçava quando eu chegava de férias. Às vezes ainda a sentia meio desconfiada com a minha aproximação, mas o tempo foi ajustando tudo.
A proximidade agora se revela por sentimentos que emergem em situações diversas. A perda dos dois bebês fez aflorar a tristeza e o pesar por não poder nada mais dizer a não ser “sinto muito... outro poderá vir”. Tanta coisa conquistada com tanto esforço: casa própria e finalmente um homem formidável com quem levar uma vida a dois, e tudo o que faltava para a felicidade completa perde-se duas vezes. Por quê? O que teria ela feito?
Por outro lado, a felicidade da maternidade gera um sentimento de amor, amor por uma criança como se ela fosse sobrinho de sangue. Uma criança que vai passar boa parte da infância num espaço onde eu cresci, vai assistir a televisão que eu assisti, provavelmente vai subir nas mesmas árvores, vai pegar bergamota nos mesmos pés, e pular amarelinha na mesma rua.
Ela faz parte da nossa família. Não só porque está lá presente, fisicamente, todos os dias. Mas porque desperta em nós amor.
sexta-feira, 31 de outubro de 2008
Doutorzinho de me.....
Você, doutorzinho de me...
Meia tigela
Com quatro anos de estudos a mais que eu
Também perde os dentes e fica banguela.
Um nome em capa de livro
Não te faz melhor que o mendigo
Nem te empodera perante minha vó
Você, um dia, também vira pó.
Você não é melhor que ninguém, não
Panaca, mantenha os pés no chão
Estamos, nós dois, lado a lado
Te mostro meu dedo,
E vai tomar no fiufó!
Meia tigela
Com quatro anos de estudos a mais que eu
Também perde os dentes e fica banguela.
Um nome em capa de livro
Não te faz melhor que o mendigo
Nem te empodera perante minha vó
Você, um dia, também vira pó.
Você não é melhor que ninguém, não
Panaca, mantenha os pés no chão
Estamos, nós dois, lado a lado
Te mostro meu dedo,
E vai tomar no fiufó!
terça-feira, 28 de outubro de 2008
Língua é poder!
Barack Obama: "que entrem os imigrantes, desde que paguem impostos, não tenham antecedentes criminais e aprendam Inglês".
Língua é poder.
Língua é poder.
segunda-feira, 27 de outubro de 2008
Cara de pau sim!!!
Não é à toa que o brasileiro é cara de pau, considerando esta mesma caracterísitca nos nossos governantes.
No Jornal Nacional de hoje, o ilustríssimo Ministro da Fazenda, Senhor Guido Mantega, afirmou que o governo não está subsidiando empresas que passaram por dificuldades econômicas devido à crise.
Como se não bastasse, ACONSELHOU o povo a não parar de investir, e usou a si próprio como exemplo a ser seguido: está negociando um apartamento novo, em várias prestações... mas deixou escapulir (coitado!) que está negociando direto com o proprietário, encontrando-se numa tremenda saia justa da qual não conseguiu sair.
O mercado do óleo de peroba deve ser muito lucrativo...
Como é possível ainda ter orgulho de ser brasileiro????????
No Jornal Nacional de hoje, o ilustríssimo Ministro da Fazenda, Senhor Guido Mantega, afirmou que o governo não está subsidiando empresas que passaram por dificuldades econômicas devido à crise.
Como se não bastasse, ACONSELHOU o povo a não parar de investir, e usou a si próprio como exemplo a ser seguido: está negociando um apartamento novo, em várias prestações... mas deixou escapulir (coitado!) que está negociando direto com o proprietário, encontrando-se numa tremenda saia justa da qual não conseguiu sair.
O mercado do óleo de peroba deve ser muito lucrativo...
Como é possível ainda ter orgulho de ser brasileiro????????
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