sábado, 13 de dezembro de 2008

DO UMBIGO AO NARIZ - Para o ano novo

É hora! A hora mais oportuna para desvincular-se do culto ao umbigo e aderir ao do nariz. Não havendo melhor argumento, considere o lucro de trocar um buraco por dois.
O umbigo é onde tudo começou. Origem da vida e um contínuo de adoração cultivada por muitos do início ao fim da existência.
O nariz é mais complexo. Só é possível enxergar o próprio nariz pela imagem refletida no espelho. Imagem de segunda mão, que vem a nós atravessada pelas marcas espaciais, sócio-históricas e morais, do tempo que se leva a olhar e enxergar o próprio nariz.
O umbigo é tão mais simples! Incline tua cabeça e o verás, tão mais teu, tão próximo, tão singular. Tu escondes o umbigo e ninguém o vê, como a toca do urso, o amigo oculto, a bolha do Pequeno Príncipe. Interpreta-o como quiseres, sem censura, sem meias palavras.
O nariz é, sim, mais complexo. O reflexo que vês não é mais teu, é do mundo. Sofre o julgamento do outro que, não vendo o seu próprio nariz, vê o alheio, entre dois olhos que emanam o ser: sentimento, emoção, brilho, culpa, pudor. Não é o nariz alheio igual ao teu, mas é o que é pela experiência de poder ver a ambos.
Presta mais atenção nos narizes alheios, nos brilhos dos olhos, para que, quando te olhares no espelho, não enxergues somente a ti, mas aos outros que te complementam.

Um comentário:

Leonardo Tonon disse...

Simplesmente, PERFEITO!