quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

De médico quem tem um pouco, pode ser um pouco louco

Diagnóstico certeiro, mas permeado de incerteza: “Pois é, Fulana.. então” .. “diz logo, doutor: é câncer”.. “É, é câncer.. maligno”.
Quem nunca ouviu o dito infame “De médico e de louco, todo mundo tem um pouco”?
Balela. Ninguém pode ser menos profissional do que alguns médicos têm conseguido ser.
Você, professor, ameace um aluno de reprovação para levar na cara uma repreensão: “você não tem o direito de reprovar meu filho.. por que você vai reprová-lo? O que ele fez? O que ele deve fazer para não ser reprovado?”
Médico não. Médico tem gabarito pra falar o que quiser, do jeito que quiser. Hoje cheguei à conclusão de que “doutor” mesmo é o psicólogo.. Aliás, aí vai uma dica ao Conselho Nacional de Medicina: exigir a formação em Psicologia de TODOS os médicos, sobretudo os que dão notícias amargas e inesperadas, como a recebida hoje pela nossa funcionária.
Desabada no choro, vislumbrando um futuro breve e cheio de barreiras a serem transpostas. De esperanças? Poucas.. sabendo que o câncer ainda é visto como uma alavanca fatal para a morte, o médico não teve a capacidade e o profissionalismo de amenizar a notícia, apresentando-a com, pelo menos, um pouco de expectativa de cura.

Não é ele que tem, finalmente, um filho de 7 meses nos braços, depois de 2 tentativas frustradas, e agora treme diante da possibilidade de nem vê-lo crescer.
Não foi ele quem lutou para conseguir o pouco que tem, e agora olha para trás perguntando “Por quê”.
A rasteira da vida, não é ele que está levando.
Não são cruéis com ele as circunstâncias.

“Doutores”: humanizai-vos.

Um comentário:

Leonardo Tonon disse...

Uau! acho que dispensaria qualquer comentário, mas ainda cabe lembrar uma coisa trágica... em outras profissões a falta de "humanindade" tem ser tornado algo cada vez mais comum, a ponto de começar a passar despercebido pelos olhares de muitos...